Para que o ensino superior possa apoiar a resolução dos grandes desafios do século XXI, precisa de ser compreendido, apoiado e necessita de se transformar. As Instituições de Ensino Superior – IES são organizações que ligam o passado ao futuro, trazendo o futuro para o presente. Absolutamente nevrálgicas para qualquer território que não queira perder-se.
O acesso e a frequência do Ensino Superior são um direito humano e universal, no espaço da educação e formação, um bem público e um valor privado, o motor da inovação e desenvolvimento económico, espaço do pensamento crítico e debate democrático, instrumento para promover a paz, a justiça social e a sustentabilidade. Não é um sistema de atribuição de diplomas, ele é uma força transformadora da sociedade.
As IES estão a ser desafiadas pela era dos resultados “Outcomes Era”, em que se exigem evidências sobre a empregabilidade dos graduados, o retorno financeiro do investimento feito pelas famílias, a mobilidade e o desenvolvimento ao longo da vida. Precisam demonstrar o valor que oferecem aos estudantes, formar líderes preparados para ambientes complexos, integrar a IA de forma estratégica e responsável, mudando também a forma como avaliam, comunicam e demonstram o seu sucesso.
A tradição de estudar apenas durante a juventude continua a desaparecer. As pessoas mudam de carreira várias vezes ao longo da vida e necessitam constantemente de atualização das competências. As IES precisam de construir uma relação contínua e permanente com os seus Estudantes, acompanhando-os durante toda a sua vida profissional e não apenas durante os anos da licenciatura ou mestrado.
A liberdade académica é igualmente inalienável. Professores, investigadores e estudantes devem poder desenvolver o trabalho intelectual sem censura, instrumentalização ou pressões indevidas. Agudiza-se a necessidade de combater a desinformação e o populismo, formar pessoas capazes de analisar evidências, argumentar racionalmente e criar soluções inovadoras para os desafios locais e globais. A tecnologia deve servir objetivos humanos e sociais. A IA tem de apoiar a aprendizagem e a investigação sem comprometer a autonomia intelectual dos estudantes. Os projetos a solo e a competição entre instituições precisa de dar lugar a modelos mais colaborativos de funcionamento, incluindo investigação conjunta, mobilidade académica e ciência aberta.
O sucesso será certamente daquelas que conseguirem ser mais flexíveis, orientados para resultados e centrados nos estudantes. O êxito dependerá da capacidade de atrair novos públicos, combater o abandono e melhorar sucesso académico, oferecer formação alinhada com as necessidades do mercado, demonstrar impacto económico e social, garantindo a sustentabilidade financeira a longo prazo.
No Piaget, em Viseu, estamos conscientes de toda a transformação que está a ocorrer no Ensino Superior, em Portugal, em ligação à Europa e ao Mundo. Transformação também apoiada e dirigida pelo novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior. Estamos a atentos e empenhados em produzir as respostas necessárias para que o território continue a usufruir das melhores oportunidades de formação Superior.
Assiste-nos, contudo, a consciência de que é preciso o contributo de todos, o empenho e o compromisso de todos. Precisamos de fazer ainda mais, precisamos de fazer muito mais, em conjunto. Nesta missão estamos verdadeiramente confiados uns aos outros. Viseu poderia eventualmente não necessitar da duplicação da oferta formativa no domínio da Fisioterapia. O Piaget tem uma tradição de grande qualidade neste domínio, há mais de duas décadas e, por isso, são muitos, são ainda mais, os novos estudantes e futuros fisioterapeutas que se matricularam para 2026-2027. Viseu não necessita da duplicação de oferta formativa no domínio das Relações Internacionais, porque já tem uma Licenciatura, que está a crescer e que é merecedora de todo o apoio. Viseu tem no Piaget uma tradição de excelência, há quase 30 anos, na formação de psicólogas e psicólogos, assim como também tem grande tradição no domínio da enfermagem, nas formações pós-graduadas, nos CTeSP’s. A formação em aeronáutica criou-se em Viseu, já há alguns, e em alinhamento com a Academia IFA, que também está a crescer, têm no norte do município espaço de grande oportunidade para continuar a desenvolver-se. Em julho de 2027, Viseu colocará no mercado os primeiros 20 Mecânicos de Aeronaves e Material do Voo.
O ensino superior de Viseu também tem, em si, o desafio da coesão territorial, a capacidade de participar na tração do território e a obrigação de criar oportunidades diferenciadas para toda a região, para Portugal e para o mundo.
O futuro do ensino superior constrói-se em conjunto
Que ensino superior queremos para o futuro e que papel deve desempenhar no desenvolvimento dos territórios? Paulo Alves, Presidente do Campus Universitário do Piaget em Viseu, reflete sobre a transformação do ensino superior, os novos desafios que se colocam às instituições e a responsabilidade de construir respostas que contribuam para o desenvolvimento e a coesão dos territórios.



