Celestino Magalhães, coordenador da Pós-Graduação em Tecnologias de Informação e Comunicação do Piaget, participou no programa Duas de Prosa, da Antena 1, onde abordou o impacto da inteligência artificial no ensino superior, os desafios da sua utilização responsável e as mudanças necessárias nos processos de avaliação académica.
Durante a entrevista, o docente defendeu que as instituições de ensino superior devem passar da fase de experimentação para a definição de regras claras que orientem a utilização destas ferramentas. Considera que a inteligência artificial pode ser uma aliada na aprendizagem, na investigação e na gestão de processos, desde que seja utilizada de forma consciente e acompanhada por formação e sentido crítico.
«A literacia em inteligência artificial é ter a coragem de duvidar da máquina», afirmou Celestino Magalhães, sublinhando que os estudantes devem ser capazes de questionar os resultados produzidos, identificar possíveis erros e enviesamentos e verificar a fiabilidade das fontes apresentadas.
O docente defendeu também a necessidade de repensar os métodos de avaliação, valorizando o acompanhamento do processo de aprendizagem, a apresentação e defesa dos trabalhos e a capacidade dos estudantes fundamentarem as suas conclusões. Na sua perspetiva, a utilização de detetores de conteúdos produzidos por inteligência artificial não deve determinar, por si só, a avaliação de um trabalho, uma vez que estas ferramentas podem gerar falsos positivos.
Outro dos aspetos destacados foi a transparência na utilização da inteligência artificial. Celestino Magalhães considera que os estudantes devem identificar as ferramentas utilizadas e explicar de que forma contribuíram para os trabalhos académicos, promovendo a honestidade intelectual e a integridade académica. Alertou ainda para a importância de proteger os dados pessoais dos estudantes quando estas tecnologias são utilizadas no acompanhamento e na avaliação.
A integração da inteligência artificial no ensino superior exige, assim, uma resposta conjunta das instituições, dos docentes e dos estudantes. Para Celestino Magalhães, o desafio passa por ensinar a utilizar estas ferramentas de forma consciente, mantendo a supervisão humana e garantindo que a decisão final, sobretudo nos processos de avaliação, continua a pertencer ao docente.



