Ana Carina Franco analisa a nova escalada do conflito no Mali

A coordenadora da Licenciatura em Relações Internacionais do Piaget de Viseu, Ana Carina Franco, analisa a nova escalada do conflito no Mali, marcada pela aproximação entre grupos jiadistas e forças separatistas tuaregues, num contexto de forte fragilidade política, militar e territorial no país.

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Ana Carina Franco analisa a nova escalada do conflito no Mali

A coordenadora da Licenciatura em Relações Internacionais do Piaget de Viseu, Ana Carina Franco, analisou a nova escalada do conflito no Mali, num momento em que o país enfrenta uma das fases mais complexas da sua crise política, militar e territorial.
A recente ofensiva envolveu ataques coordenados contra várias cidades estratégicas, incluindo Bamako, Kati, Gao, Mopti, Sévaré e Kidal. Esta última, situada no norte do país e historicamente associada às reivindicações tuaregues, acabou por cair nas mãos dos rebeldes, representando um forte revés para a junta militar maliana e para a sua narrativa de controlo do território.
Na análise de Ana Carina Franco, o elemento mais relevante desta nova fase do conflito está na coordenação entre dois atores com objetivos distintos: o grupo jiadista JNIM, associado à Al-Qaeda, e a Frente de Libertação de Azawad, ligada às reivindicações tuaregues de autonomia ou independência no norte do Mali. Apesar das diferenças ideológicas e políticas, os dois grupos terão encontrado uma convergência estratégica perante um inimigo comum: a junta militar que governa o país.
Para a especialista do Piaget de Viseu, esta aproximação revela uma lógica pragmática e evidencia a fragilidade crescente do Estado maliano. O abandono dos Acordos de Argel de 2015, que previam maior autonomia para as comunidades do norte e a integração de combatentes rebeldes nas forças nacionais, é apontado como um dos fatores que contribuiu para o agravamento da tensão entre Bamako e as populações do norte.
A queda de Kidal assume, neste contexto, um peso simbólico particular. A cidade sempre teve uma presença limitada do Estado maliano e tornou-se um bastião das dinâmicas políticas tuaregues. A sua perda volta a colocar em causa a capacidade da junta para assegurar o controlo efetivo do território e para responder à complexidade das reivindicações locais.
Ana Carina Franco sublinha ainda que a ação do JNIM não deve ser lida apenas como uma tentativa de tomada direta do poder. O grupo tem vindo a consolidar presença em zonas rurais, onde a presença do Estado é reduzida, e a reforçar formas de controlo local e paragovernança. Ao atacar cidades e condicionar rotas de transporte e abastecimento, o grupo expõe as limitações da resposta militar e obriga as forças governamentais a concentrarem meios nos centros urbanos.
A crise no Mali é também inseparável da reconfiguração das alianças internacionais do país. Depois da saída das forças francesas e da missão das Nações Unidas, a junta maliana aproximou-se da Rússia, que passou a desempenhar um papel central no apoio militar. No entanto, a perda de Kidal mostra que esse apoio não tem sido suficiente para estabilizar um território vasto, fragmentado e marcado por tensões históricas.
Para o Piaget, a análise de Ana Carina Franco reforça a importância da leitura académica dos conflitos internacionais e da compreensão das dinâmicas políticas, sociais e securitárias que marcam o mundo contemporâneo. A intervenção da coordenadora da Licenciatura em Relações Internacionais do Piaget de Viseu evidencia o contributo da instituição para o debate público informado sobre segurança internacional, geopolítica e instabilidade no Sahel.

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