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Entrevista a Nelson de Sousa Presidente do campus do Piaget do Algarve

Nelson de Sousa é o Presidente do campus Piaget do Algarve, onde tem conduzido um percurso de crescimento sólido e sustentado, marcado pela inovação pedagógica, pela forte ligação ao território e pela proximidade aos estudantes, elementos que considera essenciais à experiência no ensino superior. Profundo conhecedor da região e uma das suas figuras de maior destaque, sobretudo nas áreas da saúde e do desenvolvimento humano, tem sido determinante na afirmação e consolidação do Piaget do Algarve como um polo de excelência académica e social. Sob a sua liderança, o campus tem reforçado o seu papel junto das comunidades locais, promovendo projetos que aliam o rigor científico à relevância social e que antecipam as necessidades e desafios do futuro.

De que forma a oferta formativa do Piaget do Algarve se diferencia das restantes instituições de ensino superior da região?

O Piaget do Algarve oferece atualmente as licenciaturas em Enfermagem, Fisioterapia e Osteopatia, sendo esta última, pela sua natureza e reconhecimento, a mais diferenciadora das três. O que nos distingue, de forma mais ampla, é também a diversidade de cursos de formação avançada e de curta duração, bem como a realização regular de eventos formativos que aproximam o campus da comunidade profissional. Recentemente, lançámos uma pós-graduação em Supervisão Clínica para Enfermeiros, e prevemos reforçar significativamente a nossa oferta pós-graduada nos próximos anos.

Tendo em conta o crescimento pretendido e a aposta em novas formações avançadas, quais são agora as principais perspetivas e objetivos do Piaget do Algarve para o reforço da sua oferta pós-graduada nos próximos anos?

Estamos a preparar a expansão da nossa oferta pós-graduada, trazendo para o Piaget do Algarve algumas formações já consolidadas noutros campi, como a Pós-Graduação em Administração e Gestão de Unidades de Saúde. Vamos também lançar uma nova Pós-Graduação em Enfermagem Infantil e Pediátrica, que será uma aposta pioneira no contexto do Piaget. Paralelamente, estamos a desenvolver outras propostas ainda em fase embrionária, que pretendemos integrar em breve na nossa oferta, reforçando assim o leque de opções disponíveis para profissionais que procuram especialização e atualização contínua.

A nova Pós-Graduação em Saúde Infantil e Pediátrica surge para responder a alguma necessidade específica identificada na região?

Sim, identificámos uma carência evidente deste tipo de profissionais na região. Muitos residentes do Algarve ainda precisam de se deslocar a Lisboa, ao Alentejo ou a outras zonas do país para aceder a formações especializadas nesta área. Ao disponibilizarmos esta e outras pós-graduações na área da saúde aqui no Algarve, conseguimos responder a essa necessidade, oferecendo oportunidades de especialização e progressão de carreira mais próximas de casa, facilitando o acesso e reforçando a qualificação dos profissionais da região.

Que alternativas o Piaget do Algarve oferece aos estudantes que tiveram dificuldades em ingressar no ensino superior neste ano letivo?

O Piaget do Algarve disponibiliza atualmente quatro CTeSP nas áreas da Saúde, Gestão Clínica e Administrativa, Gerontologia, Exercício Físico e Saúde e Serviço Familiar e comunitário. Contudo, o que merece especial destaque é a forte adesão às unidades curriculares isoladas, uma alternativa que tem permitido a muitos estudantes iniciar a sua formação e preparar-se para o ingresso numa licenciatura. Este modelo funciona como uma etapa de transição, uma espécie de preparação para a entrada no ensino superior. Este ano, mais do que duplicámos o número de estudantes inscritos nesta modalidade, muitos dos quais estão já a desenvolver competências e a preparar os exames nacionais com o objetivo de ingressar numa licenciatura no próximo ano letivo.

O Algarve é uma região com características e dinâmicas muito próprias. De que forma o Piaget, e em particular o campus do Algarve, têm procurado ajustar a sua oferta formativa às necessidades reais e específicas da região?

De facto, no Algarve tal como no resto do país, as áreas em que formamos profissionais são hoje, de pleno emprego. Há uma carência significativa de especialistas, sobretudo nas áreas da saúde, e essa necessidade tem vindo a acentuar-se. Durante vários anos, o Algarve contou com muitos enfermeiros e fisioterapeutas Espanhóis, mas à medida que o mercado espanhol começou a absorver esses profissionais, muitos regressaram ao seu país de origem, o que aumentou ainda mais a escassez local. Atualmente, os diplomados do Piaget do Algarve têm praticamente pleno emprego. Todos os que desejam trabalhar na área em que se formaram encontram facilmente colocação. No mais recente concurso das Unidades Locais de Saúde do Algarve, os nossos estudantes foram dos mais bem classificados, resultado do trabalho de qualidade que desenvolveram, nomeadamente em investigação. Muitos publicaram estudos no âmbito das suas unidades curriculares, o que lhes valeu majorações na avaliação final.
É particularmente gratificante perceber que, sendo a nossa Escola Superior de Saúde relativamente recente, já conseguimos este nível de reconhecimento e de empregabilidade, que reflete a qualidade da formação que oferecemos.

O contacto com o mercado de trabalho é uma componente cada vez mais valorizada na formação superior. De que forma o Piaget do Algarve integra essa vertente prática nos seus cursos e como se refletem esses laços na empregabilidade dos diplomados?

No Piaget do Algarve, cerca de metade do percurso académico dos estudantes decorre em contexto clínico, através de estágios e práticas supervisionadas em unidades de referência com as quais mantemos protocolos sólidos — como a Lusíadas Saúde, a CUF e outras instituições parceiras. Essa imersão no terreno permite aos nossos alunos desenvolver competências reais, adaptadas às exigências do mercado. Muitos dos nossos diplomados encontram rapidamente emprego, tanto em Portugal como no estrangeiro — em países como Inglaterra, França, Bélgica e Países Baixos — onde são reconhecidos pela sua formação e profissionalismo. Há também quem opte por criar o seu próprio negócio, fundando clínicas ou projetos na área da saúde. É frequente recebermos pedidos de antigos estudantes a solicitar a divulgação de oportunidades de emprego e de estágio para alunos que ainda estão a concluir o curso, o que demonstra a forte ligação à instituição e o elevado grau de satisfação com a formação recebida.

O Piaget do Algarve tem vindo a destacar-se também pela sua abertura internacional. Que papel têm os estudantes estrangeiros no campus e como é feita a sua integração?

Sim, temos recebido vários estudantes internacionais no Piaget do Algarve, sobretudo franceses e espanhóis, que escolhem o campus pela qualidade da formação, pela reputação dos cursos e também pelo clima e localização privilegiada da região. Embora a língua possa ser um desafio inicial, oferecemos cursos gratuitos de português e temos docentes que dominam castelhano, inglês e francês, o que facilita muito a integração. O ensino é em português, mas existe flexibilidade e apoio constante. Os estudantes adaptam-se rapidamente, sentem-se bem acolhidos e valorizam muito a experiência académica e pessoal que vivem aqui.

O Piaget do Algarve conta com uma clínica própria integrada na rede de Clínicas Piaget. Qual é o papel desta estrutura na formação dos estudantes e no apoio à comunidade?

Sim, temos uma clínica própria no Piaget do Algarve, atualmente dedicada à valência de Osteopatia. Esta clínica tem uma forte componente de responsabilidade social, praticamos preços muito acessíveis e, em alguns casos, há mesmo isenção de pagamento, em função da situação dos utentes. Além do impacto social, a clínica representa um elemento diferenciador da nossa oferta formativa. Os estudantes têm aqui contacto direto com a realidade clínica, complementando a experiência prática que já desenvolvem nos estágios e parcerias externas. O volume de consultas realizadas é já bastante expressivo, o que demonstra o envolvimento ativo dos alunos e a relevância desta estrutura na sua formação profissional e na ligação do Piaget à comunidade.

Foi recentemente retomado o projeto em parceria com a Câmara Municipal de Silves e a associação Amigos dos Pequeninos de Silves. Pode explicar em que consiste esta iniciativa e qual a importância desta colaboração para o Piaget do Algarve?

Esta parceria, assinada há cerca de dois anos e meio entre o Piaget do Algarve, a Câmara Municipal de Silves e a associação Amigos dos Pequeninos de Silves, prevê a criação de uma unidade de cuidados continuados integrados de saúde mental e de um espaço multiusos. O projeto, reconhecido no âmbito do PRR, inclui também um centro de atividades e capacitação para a inclusão, uma unidade residencial de apoio máximo para a idade adulta e outra para a infância e adolescência.
As obras arrancaram recentemente e estão a avançar a bom ritmo. No total, estima-se que venham a estar envolvidos cerca de 60 profissionais. Embora não se trate de uma clínica do Piaget, esta estrutura funcionará no espaço do campus e permitirá que muitas aulas e práticas sejam desenvolvidas em contexto real, fora da sala de aula. É um projeto de grande relevância social e pedagógica, que reforça a ligação do Piaget do Algarve à comunidade e cria novas oportunidades de aprendizagem aplicada para os nossos estudantes.

Depois de tudo o que referiu sobre a formação, a ligação ao território e as oportunidades práticas, o que considera que torna o Piaget do Algarve diferente de outras instituições de ensino superior?

No Piaget do Algarve valorizamos muito mais do que o percurso académico em si. Na sessão de boas-vindas, lançámos precisamente esse desafio aos novos estudantes: o que podem fazer, ao longo destes quatro anos, para saírem daqui com mais do que um diploma? Incentivamos a participação em eventos, em projetos de extensão à comunidade e em seminários que desenvolvem competências técnicas, mas também relacionais, humanas e logísticas. Os estudantes são chamados a envolver-se em atividades promovidas por várias entidades locais, o que lhes dá contacto direto com a realidade e fortalece o sentido de responsabilidade social. Essa proximidade, aliada a uma cultura de participação e reflexão, é o que nos distingue, formamos profissionais competentes, mas também cidadãos conscientes e ativos no território onde se inserem.

Olhando para o futuro, quais são as suas principais expectativas e ambições para o Piaget do Algarve nos próximos anos?

O nosso grande objetivo é continuar a crescer com qualidade, mantendo a proximidade que sempre nos caracterizou. Queremos consolidar a nossa oferta formativa, alargar o número de pós-graduações e reforçar a ligação ao território e às instituições parceiras. Mas, acima de tudo, queremos que o Piaget do Algarve continue a ser reconhecido como um espaço de excelência académica e humana, onde os estudantes se sentem acompanhados, desafiados e inspirados. É isso que nos move: formar profissionais competentes, mas também pessoas que levem consigo os valores de rigor, empatia e compromisso com a comunidade.

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