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Acesso ao ensino superior baseia-se na aprendizagem para exame. Percurso deveria ser todo contabilizado

Numa entrevista publicada pelo ECO, Rui Tomás, secretário-geral e vice-presidente do Piaget, defende que o modelo de acesso ao ensino superior em Portugal deve ser repensado de forma estrutural, criticando a excessiva centralização do sistema nas provas de ingresso.

O responsável considera que o atual modelo assenta demasiado na lógica de “aprendizagem para exame”, reduzindo doze anos de percurso escolar ao desempenho em uma ou duas provas realizadas em poucas horas. Na sua perspetiva, esta abordagem não reflete de forma justa o percurso académico dos estudantes nem as competências adquiridas ao longo da escolaridade obrigatória. Defende, por isso, que todo o percurso formativo deveria ser contabilizado de forma mais consistente no momento de acesso ao ensino superior.

A recente decisão do Governo de permitir novamente que as instituições possam exigir apenas uma prova de ingresso é vista como positiva, embora tardia. Na entrevista, é sublinhado que a exigência de duas provas não garantia, por si só, maior rigor ou qualidade na seleção dos candidatos, e que uma, duas ou três provas continuam a ser instrumentos limitados se o modelo de base não for revisto. A autonomia das instituições na definição dos critérios de acesso é apontada como um princípio relevante, dentro de um enquadramento regulado.

Entre os temas abordados está também o impacto demográfico na diminuição do número de candidatos ao ensino superior. É defendido que, num contexto de quebra de natalidade e maior competição internacional, o sistema deve evitar criar barreiras desnecessárias no final do percurso escolar, tornando-se mais ajustado à realidade dos estudantes.

A entrevista aborda ainda a integração da inteligência artificial no ensino. É rejeitada a ideia de proibição destas ferramentas, defendendo-se antes a sua utilização responsável e crítica, enquadrada pedagogicamente. A tecnologia é apresentada como um instrumento que deve complementar o processo de aprendizagem, reforçando competências como o pensamento crítico e a capacidade de análise.

Ao longo da conversa, é reiterada a necessidade de um ensino superior mais alinhado com as transformações sociais e tecnológicas, capaz de preparar os estudantes para um mercado de trabalho em constante mudança e para desafios cada vez mais complexos. O Piaget é referido como exemplo de uma instituição que procura manter ligação ao tecido social e profissional, apostando numa formação com forte componente prática e adaptada às exigências atuais.

No essencial, a entrevista coloca no centro do debate a revisão do modelo de acesso ao ensino superior em Portugal, defendendo uma abordagem que valorize o percurso académico completo dos estudantes e que vá além da avaliação concentrada em exames finais.

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