Coordenador da Licenciatura em Engenharia Informática, especialista em inteligência artificial, matemática e sistemas computacionais e profissional da Yahoo.

A inteligência artificial não pensa, não tem curiosidade e está longe de substituir a capacidade humana de compreender, questionar e decidir. Numa entrevista sem concessões, Vítor Sá Pereira desmonta alguns dos principais mitos associados às ferramentas generativas e alerta para os riscos de lhes atribuirmos capacidades e responsabilidades que não possuem.

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Coordenador da Licenciatura em Engenharia Informática, especialista em inteligência artificial, matemática e sistemas computacionais e profissional da Yahoo.

A inteligência artificial entrou definitivamente no quotidiano, transformou a forma como trabalhamos e alimentou previsões sobre o desaparecimento de profissões, a substituição de equipas e a automatização de decisões. Mas estaremos a atribuir a estas ferramentas capacidades que, na realidade, não possuem?

Vítor Sá Pereira, coordenador da Licenciatura em Engenharia Informática do Piaget, considera que existe uma diferença profunda entre aquilo que muitas pessoas e organizações acreditam que a inteligência artificial consegue fazer e o seu verdadeiro funcionamento.

Especialista em inteligência artificial, matemática e sistemas computacionais, Vítor Sá Pereira integra atualmente a Yahoo, onde trabalha na área da publicidade digital em tempo real. Em Portugal, assume a coordenação da Licenciatura em Engenharia Informática do Piaget, trazendo para a formação académica um percurso que cruza investigação, desenvolvimento tecnológico e indústria.

Na entrevista concedida à Revista Piaget, assume uma posição clara: os atuais modelos generativos não são inteligentes no sentido humano. Funcionam através de mecanismos estatísticos e probabilísticos extremamente sofisticados, capazes de analisar contextos e prever as sequências de palavras mais prováveis, mas não compreendem verdadeiramente aquilo que produzem.

Essa distinção torna-se particularmente importante quando empresas e instituições começam a confiar nestes sistemas para executar tarefas críticas. Vítor Sá Pereira rejeita a ideia de que uma única pessoa acompanhada por inteligência artificial possa substituir equipas inteiras. Embora reconheça que estas ferramentas aceleram alguns processos, sublinha que também exigem supervisão, validação e revisão permanentes.

Aceitar sem questionar tudo aquilo que um modelo produz seria, na sua perspetiva, extremamente perigoso. Os sistemas podem perder contexto, apresentar respostas diferentes perante a mesma pergunta e ser facilmente conduzidos pelo utilizador. Por essa razão, a inteligência artificial deve ser integrada em processos rigorosos, com limites claros e intervenção humana.

O especialista admite que algumas funções irão desaparecer e que muitas profissões serão profundamente transformadas. Na programação, por exemplo, a inteligência artificial poderá assumir uma parte crescente das tarefas mais mecânicas. Contudo, continuará a ser necessário alguém capaz de definir estratégias, desenhar arquiteturas, tomar decisões e avaliar criticamente o código produzido.

É também essa visão que pretende transportar para a Licenciatura em Engenharia Informática do Piaget. Mais do que formar profissionais capazes de escrever código, Vítor Sá Pereira quer ajudar a formar engenheiros que façam perguntas, compreendam os problemas e não aceitem automaticamente as respostas apresentadas por uma máquina.

Num tempo em que as respostas parecem estar permanentemente à distância de um clique, defende que o ensino superior deve preservar a curiosidade, a persistência, o pensamento crítico e o prazer da descoberta. Para o coordenador, são precisamente essas capacidades que continuarão a distinguir os seres humanos dos sistemas de inteligência artificial.

A entrevista completa a Vítor Sá Pereira, com reflexões sobre o futuro dos programadores, a transformação das profissões, os riscos da automatização e os desafios da formação em Engenharia Informática, será publicada na edição de agosto da Revista Piaget.

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