O papel da Educação Social: Intervir com foco no bem-estar e na inclusão social
Entrevista com a docente Mara Silva
A professora Mara Silva é coordenadora da Licenciatura em Educação Social, lecionada na Escola Superior de Educação Jean Piaget, no campus de Gaia.
Trata-se de um curso com 3 anos de duração (6 semestres) que visa formar estudantes que possam um dia intervir junto de pessoas e comunidades para promover o bem-estar e a inclusão social.
Esta entrevista tem por objetivo principal conhecer um pouco melhor a licenciatura e tudo o que gira em torno da Educação Social.
O que faz um educador social e qual a utilidade da profissão?
Um educador social intervém junto da sociedade no geral. Se pensarmos num educador de infância, sabemos à partida que ele intervém com crianças; o educador social, por seu turno, intervém junto de todos nós, tendo, portanto, um campo vasto de atuação e a sua importância é fundamental.
Que tipo de competências é que os estudantes vão desenvolver ao longo da sua licenciatura?
Os estudantes vão desenvolver competências de conhecimento da realidade social e de análise crítica; vão perceber que tendências sociais estão a emergir, isto é, os padrões de mudança; e vão desenvolver competências de desenvolvimento pessoal e social. Portanto, neste sentido, trata-se não só de aprender a melhorar e desenvolver o outro, como a nós próprios.
Irão igualmente desenvolver competências de intervenção, ou seja, fazer projetos sociais, projetos comunitários, e desenvolver naturalmente competências de investigação científica e colaborativas, bem como de dinamização de recursos vários, quer próprios quer externos.
Em termos de empregabilidade, quais as saídas profissionais disponíveis para os futuros diplomados?
Os educadores sociais podem trabalhar em diferentes contextos, quer em organizações públicas, quer privadas. Podem, deste modo, trabalhar em câmaras municipais ou em diferentes ministérios do Estado, como num contexto privado exercer a profissão em instituições de solidariedade social, entidades de formação ou empresas no âmbito da responsabilidade social.
Existe, na verdade, um leque grande de saídas profissionais, embora habitualmente as pessoas pensem sobretudo nas saídas mais tradicionais, que são as escolas e instituições como os lares da terceira idade ou os ATL. Mas isto é pensar de forma curta. Aliás, os educadores sociais podem até criar o seu próprio emprego.
O Piaget é uma instituição académica de referência na formação de educadores em Portugal, e falo de educadores em sentido amplo e não apenas de educadores sociais. O que é que esta experiência de muitos anos acrescenta em termos de valor na formação dos futuros educadores sociais?
Acho que acrescenta um grande valor: é experiência e conhecimento que se acumula. Todas as pessoas que passaram pela educação, no âmbito das Ciências Sociais e Humanas, já ouviram falar de Jean Piaget e da sua importância em termos de desenvolvimento humano e de desenvolvimento infantil, em termos de psicologia e
em termos sociais. Julgo, por isso, que estes fundamentos teóricos de Piaget são muito importantes.
Por outro lado, quem é nunca ouviu falar das Edições Piaget? Todos os que passaram ou são da área social, mesmo não tendo estudado em nenhuma instituição do universo Piaget, contactaram com livros das Edições Piaget, porque eles são realmente importantes. As Edições Piaget têm contribuído muito para o desenvolvimento do conhecimento científico nesta área no nosso país, e não só.
Qual o perfil de estudantes que ambiciona ter no próximo ano letivo e qual o impacto que espera que eles venham a ter um dia na sociedade?
Gostaria muito de ter um grupo de estudantes dinâmicos e empreendedores. Julgo que os educadores sociais, por vezes, se acomodam em procurar apenas postos de trabalho tradicionais, quando deveriam pensar mais em termos de empreendedorismo.
A verdade é que existem muitas necessidades sociais. Os educadores sociais não têm apenas de trabalhar com as minorias ou com grupos com necessidades específicas. Podem também trabalhar com grupos que não têm especiais necessidades, numa lógica de melhoria da qualidade de vida da comunidade. Refiro-me, por exemplo, a contextos relacionados com organizações empresariais ou no âmbito da formação – cada vez mais se preconiza a aprendizagem ao longo da vida e os educadores sociais devem fazer parte deste grupo de interventores.
A sua licenciatura é lecionada num Campus, neste caso Gaia, onde os estudantes de Educação Social vão interagir diariamente com colegas que estão a formar-se em áreas bastante diferentes. Isso é uma vantagem ou uma desvantagem?
É uma grande vantagem, porque é precisamente da interação e da interconexão com outras áreas que nascem coisas novas e que, às vezes, surgem as start-ups. Os futuros educadores sociais vão interagir, por exemplo, com colegas das áreas da saúde, do desporto ou da educação de infância, entre outras, e podem criar negócios ou respostas sociais muito inovadoras.
Quais é que são as vantagens de estudar em Gaia? O que mais valoriza no Campus?
Há quem fale bastante, e eu também gosto muito, da proximidade à praia e ao mar. O Campus está muito bem localizado, está relativamente perto do Porto, tem boas acessibilidades, dispõe de uma ótima biblioteca, e tem um gabinete de apoio à inserção na vida ativa que é uma ótima ferramenta para os nossos estudantes.
Para terminar, quem é a professora Mara Silva?
Sou uma educadora social. Sou licenciada em Educação Social, com um mestrado e doutoramento em Sociologia. Mas trabalho desde os 21 anos na área da educação social e gosto de conciliar a investigação e o conhecimento científico com a prática. Não me vejo só a fazer a parte académica, porque tenho necessidade de trabalhar com pessoas e trabalhar a parte social e as políticas sociais.
Tenho desenvolvido a componente profissional com grupos de consumidores de substâncias psicoativas, com trabalhadoras sexuais, com imigrantes e com pessoas em situação de exclusão social. Mas também já trabalhei com jovens em contexto escolar no ensino universitário a desenvolver programas de educação e já trabalhei com voluntários num projeto europeu de investigação.
Ou seja, já trabalhei com muitos grupos diferenciados e gosto dessa intervenção diferenciada. Nós, educadores sociais, temos a vantagem de ao estarmos a trabalhar com outras pessoas, em prol da melhoria da qualidade de vida e do desenvolvimento humano, acabamos a receber em dobro aquilo que damos.
Há uma ideia fundamental, com a qual concordo, de que a sociedade é, no fundo, um projeto entre pessoas e todos nós temos valores, metas e objetivos que procuramos atingir. É fundamental trabalhar em conjunto para o bem comum e eu acredito nestes ideais, razão pela qual gosto muito da Educação Social.
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